quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Curso livre Eça de Queirós, sua vida, sua obra, sua época

programa quase definitivo

Outubro – Dia 11 – 15-17 horas
Tema: Eça de Queirós, sua vida, sua obra, sua época.
Professora: Isabel Pires de Lima

Outubro – Dia 25 – 15-17 horas
Tema: A biografia e os biógrafos de Eça de Queirós
Professor: J. A. Gonçalves Guimarães

Novembro – Dia 8 – 15-17 horas
Tema: A vingança do chinês – chinoiserie e a imagem da China em O Mandarim
Professor: Arie Pos

Novembro – Dia 29 – 15-17 horas
Tema: Eça de Queirós no Egipto e na Síria Palestina
Professor: Luís Manuel de Araújo

Dezembro – Dia 13 – 15-17 horas
Tema: A música na obra de Eça de Queirós.
Professor: Mário Vieira de Carvalho

Dezembro – Dia 27 – 15-17 horas
Tema: Os culies na vida de Eça de Queirós.
Professora: Maria Teresa Lopes da Silva

2009

Janeiro – Dia 10 – 15-17 horas
Tema: Os “Vencidos da Vida”: Marquês de Soveral, Homem do Douro e do Mundo.
Professor: J. A. Gonçalves Guimarães

Janeiro – Dia 24 – 15-17 horas
Tema: a indicar
Professor: a indicar

Fevereiro – Dia 7 – 15-17 horas
Tema: A Arte na segunda metade do século XIX.
Professor: José Manuel Tedim

Fevereiro – Dia 21 – 15-17 horas
Tema: A vida quotidiana no tempo de Eça de Queirós
Professor: Nuno Resende

Março – Dia 7 – 15-17 horas
Tema: As correntes do pensamento pós-darwiniano.
Professor: Carlos Fiolhais

Março – Dia 21 – 15-17 horas
Tema: Eça de Queirós e a Literatura contemporânea
Professor: Isabel Pires de lima

Programa em fase de acerto final. Não é ainda o programa definitivo. Dentro destes parâmetros o programa pode ser alterado em termos de sequência de professores e temas, mantendo todavia o formato geral.
O Curso sobre Eça de Queirós realiza-se no Solar Condes de Resende, Canelas, Vila Nova de Gaia, a partir de 11 de Outubro de 2008, nas datas indicadas entre as 15 e as 17 horas. Implica inscrição e pagamento prévio.
Contactar: 227625622/227531385

Eça & Outras Agosto

Escavações arqueológicas em São Salvador do Mundo,
S. João da Pesqueira








Um aspecto dos trabalhos

Entre 26 de Julho e 10 de Agosto uma equipa do Gabinete de História, Arqueologia e Património da Confraria Queirosiana, dirigida pelo arqueólogo J. A. Gonçalves Guimarães, procedeu a escavações arqueológicas na área de uma construção da Época Moderna – uma galeria porticada ou alpendre – existente no santuário de São Salvador do Mundo, S. João da Pesqueira, dando assim continuidade aos trabalhos de estudo e valorização patrimonial deste emblemático miradouro duriense iniciados por aquela entidade em 2005 e já divulgados em diversas publicações.
As escavações revelaram que a construção foi implantada numa área de forte declive sobre batólitos de granito, tendo o desnível sido preenchido com terras provenientes das imediações repletas de vestígios arqueológicos desde o período neolítico, com especial relevância para a Idade do Ferro, da qual, para além de cerâmica doméstica e de construção, foram encontrados outros elementos que confirmam uma intensa presença de factores de romanização no século IV, o século de Constantino o Grande, e ainda da Idade Média.
Todos estes abundantes vestígios apontam para a ocupação do Ermo de uma forma continuada desde a Pré-história Recente até à actualidade, sendo previsível que, com a continuidade dos trabalhos, venham a ser postas a descoberto as estruturas habitacionais, ou outras, daquelas épocas, pesem embora as adaptações que o sítio foi tendo sobretudo desde o século XVII.
Esta intervenção, devidamente autorizada pelo Ministério da Cultura através do IGESPAR, foi possível graças à colaboração da Comissão Fabriqueira da Paróquia de São João da Pesqueira, entidade gestora do santuário, e teve o patrocínio do respectivo Município.
A equipa de trabalho contou com a colaboração de vários profissionais de Arqueologia e Património daquele Gabinete e dos serviços culturais da autarquia, e ainda de diversos jovens do Programa de Ocupação de Tempos Livres, e da Associação Cultural Amigos de Pereiros.






A equipa deste ano


OUTRAS

Eça em Cortes, Leiria

Sobre o Abade de Cortegaça, de O Crime do Padre Amaro, em casa de quem se reuniam os padres de Leiria que muito apreciavam a sua famosa «cabidela de caça», numa série de artigos publicados no Jornal das Cortes (Leiria), entre Janeiro e Junho de 1991, agora reunidos no volume Re Cortes do jornal daí. As Cortes da Pré-história à Actualidade. Leiria: Jornal das Cortes, 1997, que nos fez chegar à mão, o Eng.º Carlos Fernandes aventa a hipótese de, mais uma vez, Eça ter disfarçado com um falso nome, ou topónimo neste caso, a identidade de um dos seus personagens que verdadeiramente existiram, o qual, em vez de abade de Cortegaça, se deveria ter chamado abade de Cortes, a freguesia de Leiria que poderá ter servido para alguns elementos iconográficos e tipológicos de O Crime do Padre Amaro. O autor não afirma, mas conclui, como outros já assisadamente o fizeram, que «Eça era dotado de imaginação suficiente para pegar nos tipos e recriá-los sem necessidade de os colocar nos seus locais de origem. E esse será o motivo pelo qual se respira no seu romance um ambiente que é possível ver aqui e além mas que não corresponderá necessariamente a um local ou a uma povoação definidos».E isso é verdade para todos os romances e outros escritos de Eça; como artista, o escritor descreve um mundo sincrético e ideal que pouco tem a ver com a realidade da geografia. O seu Realismo é outro: não é corográfico nem biográfico.
Mais identificáveis, porque biográficos e não literários, serão os «... seus amores em terras de Lis» de Manuel Paula Maça, artigo publicado naquele jornal a 9 de Julho de 1990 e agora neste livro a páginas 257. Assim, e citando o autor Júlio de Sousa e Costa, o escritor ter-se-à tomado de amores por uma lindíssima Maria José; teve também «amores recatados» com uma dama viúva de trinta e poucos anos que acabará por lhe preferir um oficial do exército e ainda, segundo outros autores incluindo João Gaspar Simões, com a Baronesa do Salgueiro, com quem terá sido apanhado «em flagrante» pelo marido numa noite de baile de Carnaval lá em casa em 1871. Não bastando tudo isto e segundo José Marques da Cruz em Eça de Queirós - Sua Psique, publicado em São Paulo, Brasil em 1943, também aqui citado, Eça terá deixado em Leiria um filho natural «parecido com o pai», que acabou poeta lírico e humorístico.
E, além de tudo isto e da administração do distrito, Eça teve ainda tempo para escrever O Crime do Padre Amaro!




Eça em castelhano

Pela mão do queirosiano Eng.º Ricardo Charters d’Azevedo chegou-nos à mão a noticia do estudo de Alicia Langa Laorga, intitulado Eça de Queiroz - Testigo Y critico de la sociedad portuguesa, publicado em Espanha em 1996, mas cremos que ainda sem tradução portuguesa. A autora chegou a apresentar em 1995 um resumo deste seu trabalho no II Colóquio sobre História de Leiria, tendo sido publicado nas respectivas Actas.
Naquele seu trabalho aborda a biografia do escritor, a cidade de Leiria como “cidade levítica” e, por fim, o enquadramento local, social e épocal de O Crime do Padre Amaro.

Evocação de herói da Guerra peninsular

Nos passados dias 14 e 15 de Julho o Solar Condes de Resende e o Gabinete de História, Arqueologia e Património dos ASCR-Confraria Queirosiana estiveram representados, através do director daquelas instituições e da investigadora Maria de Fátima Teixeira, no Colóquio “200 anos após as Invasões Francesas”, organizado pela Câmara Municipal de Leiria e pela Universidade de Coimbra e que se realizou no Instituto Politécnico de Leiria. Na ocasião foi apresentada a comunicação «Manuel Pamplona Carneiro Rangel (1774 - 1849), combatente da Guerra Peninsular» da autoria de J. A. Gonçalves Guimarães e de Susana Guimarães, que estão a elaborar a biografia deste militar, depois agraciado com o título de Visconde de Beire, antigo proprietário da Quinta da Costa, em Canelas (hoje Solar Condes de Resende), e bisavô dos filhos de Eça de Queirós. Deverá ser lançada em 2009 aquando da evocação da 2.ª Invasão.

Curso sobre Eça de Queirós

Em colaboração com a Academia Eça de Queirós, o Solar Condes de Resende vai iniciar em Outubro próximo um Curso Livre sobre «Eça de Queirós, sua vida, sua obra, sua época» com início no dia 11 de Outubro, e ao ritmo de dois sábados por mês, entre as 15 e as 17 horas, ao longo de doze sessões. Os temas serão apresentados por alguns dos maiores especialistas em Literatura e História portuguesas da segunda metade do século XIX, estando já confirmada a presença dos professores Isabel Pires de Lima, Luís Manuel de Araújo, Maria Teresa Lopes da Silva, J. A. Gonçalves Guimarães e Nuno Resende. As inscrições já estão abertas, pagando os interessados uma pequena propina de frequência que lhes dá direito, para além da aquisição de conhecimentos resultantes da mais recente investigação naquelas áreas, a um certificado de frequência.

Outros cursos livres

Para além do curso acima referido, continua no Solar Condes de Resende o curso livre sobre «Pintura e outras expressões plásticas», dirigido pelo professor e pintor Ariosto Madureira, formado pela Escola Superior de Belas Artes do Porto (actual Faculdade).
Em Outubro próximo recomeçará o Curso de Danças de Salão e um curso de inglês para iniciados.

Página dos Amigos do Solar Condes de Resende
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segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Lançamento do Livro Marquês de Soveral, Homem do Douro e do Mundo

Convite

António José Lima Costa, presidente da Câmara Municipal de São João da Pesqueira e confrade de honra da Confraria Queirosiana, convida todos os sócios e confrades dos Amigos do Solar Condes de Resende – CQ a estarem presentes na Vindouro – Festa do Vinho, no lançamento do livro Marquês de Soveral, Homem do Douro e do Mundo, de J. A. Gonçalves Guimarães e produzido pelo Gabinete de História, Arqueologia e Património, o qual terá lugar no próximo dia 6 de Setembro, sábado, na Praça da República, São João da Pesqueira, pelas 17,30 horas, sendo a obra apresentada pelo Prof. Doutor António Barros Cardoso da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.


S. João da Pesqueira, 25 de Agosto de 2008


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Marquês de Soveral, Homem do Douro e do Mundo/The Marquis de Soveral, Son of the Douro, Man of the World, por J. A. Gonçalves Guimarães, versão inglesa de Karen Bennett. Município de São João da Pesqueira/Gailivro Edições.


Nascido em 1851 em São João da Pesqueira na Quinta de Cidrô, filho de uma família de proprietários durienses da nobreza regional ligada à Corte e à diplomacia, Luís Maria Pinto de Soveral viria a ser o diplomata mais famoso de Portugal e, como tal, ainda hoje é lembrado em Inglaterra.
Tendo frequentado no Porto a Academia Politécnica, matriculou-se na Escola Naval em Lisboa na Companhia dos Guardas Marinha, mas tudo leva a crer que a sua formação de marinheiro foi feita na armada britânica. Doutorou-se depois em Lovaina em Ciências Políticas, iniciando logo a seguir a carreira diplomática, tendo passado pelas legações de Berlim e Madrid, até se fixar em Londres, onde se empenhou na resolução da difícil situação das relações luso-britânicas logo após o Ultimatum, que culminaram no 2º Tratado de Windsor de 1899.
Conheceu e conviveu com todos os reis e imperadores da Europa, incluindo o Papa e o Presidente da República Francesa e, como Ministro dos Negócios Estrangeiros do governo português, teve um importante papel nas relações de Portugal com as potências europeias e com as respectivas colónias africanas.
Nos anos oitenta fez parte de “Os Vencidos da Vida”, o grupo jantante de intelectuais que acreditava que Portugal se poderia modernizar e colocar ao nível da Europa de então, do qual faziam parte Eça de Queiroz, Oliveira Martins, Guerra Junqueiro, Ramalho Ortigão, entre outros, os quais consideravam o próprio Rei D. Carlos confrade suplente do grupo.

Durante a sua estadia em Inglaterra tornou-se íntimo do Rei Eduardo VII e das mais importantes personalidades da sua corte. A Rainha Victória condecorou-o e a Rainha Alexandra tinha por ele um enorme apreço. Dele se contam várias histórias cujas peripécias, por inusitadas, entre a ousadia e o charme, acabaram por originar o adjectivo soveralesco. Porém, na realidade, quase só se conhece a sua vida pública, pois, já depois de retirado, recusou um generoso pagamento de um jornal americano para escrever as suas memórias. Mas permaneceu como uma figura incontornável da Bèlle Époque, que podemos encontrar num livro de Sherlock Holmes, em quase todas as revistas ilustradas do seu tempo ou, mais recentemente, numa série da BBC. Era tido como o homem mais elegante de Londres que ditava a moda em Piccadilly e, para as senhoras, the most charming man. Para além destes atributos, pelo menos em jovem, tocava guitarra e cantava o fado e, quando no estrangeiro oferecia um jantar, aos amigos brindava-os com um prato de bacalhau acompanhado com champanhe.
Tendo-se demitido do seu cargo após a implantação da República, passou a ser uma espécie de conselheiro de D. Manuel II no exílio, partilhando com ele o seu amor à pátria e a defesa dos interesses de Portugal no mundo.
Como homem do Douro, onde foi proprietário e produtor de vinhos, participou oficialmente na defesa da denominação “Porto” a nível mundial, e jamais esqueceu a sua terra natal e os seus anseios.
Grande português sem dúvida, acabou os seus dias em Paris em 1922, tendo a acompanhá-lo nos últimos momentos a Rainha D. Amélia, que por ele nutria grande estima desde os anos de dedicação ao serviço do Rei D. Carlos e de Portugal como diplomata, como ministro, como conselheiro, como amigo de todas as horas. Foi sepultado como um príncipe na cripta da igreja de Saint Piérre de Chaillot e, anos depois, quando esta sofreu grandes obras, foi transladado para jazigo particular no cemitério Père Lachaise.
Na embaixada de Portugal em Londres existe o seu retrato pintado por Medina, mas, fora das memórias da diplomacia, é hoje praticamente desconhecido aquele que foi um dos portugueses mais famosos do seu tempo a nível internacional. Este livro, na realidade a sua primeira biografia, escrito por J. A. Gonçalves Guimarães, historiador que se tem devotado ao estudo das relações do Vale do Douro com o mundo, nomeadamente no século XIX e autor de numerosos trabalhos sobre o país do Vinho do Porto, apresenta as facetas documentadas da vida do português que, segundo a escritora inglesa Virgínia Cowes, era «encantador, urbano, polido e espirituoso. Adorava mulheres e era tido como o melhor dançarino da Europa» e, citando Sir Frederick Ponsonby, um seu contemporâneo, «ele era universalmente popular em Inglaterra…onde fez amor com todas as mais belas mulheres e onde todos os homens importantes eram seus amigos». Agora que Portugal se encontra na ribalta política da Europa e do Mundo através da participação de personalidades portuguesas em lugares de destaque, esta biografia, muito ilustrada, apresenta também a versão inglesa do texto por Karen Bennett, com o objectivo de que os estrangeiros, sobretudo os que visitam o Douro, conheçam os antecedentes portugueses do Marquês de Soveral, Homem do Douro e do Mundo, edição conjunta do Município de São João da Pesqueira e das Edições Gailivro.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Eças & Outras - Julho

EÇA DE QUEIRÓS E A EMIGRAÇÃO


Muitos escritores portugueses escreveram sobre esse desígnio nacional que é a emigração. O estar para além das serras ou oceanos sempre foi uma constante na maneira de ser portuguesa, herdada de povos migrantes que aqui nos moldaram sobre o fundo étnico indígena: mediterrânicos, germânicos e nórdicos, que por aqui passaram deixaram-nos nos cromossomas o elemento da irrequietude, que a terra magra, as elites estúpidas e as contingências dos tempos transformaram em fatalidade.
Se há alguém que tem obrigação de entender o que é isso de ter de deixar a terra menina são os portugueses; mas uns entendem mais e outros menos.
Se há escritor português que lidou de perto e por dentro com o fenómeno migratório foi Eça de Queirós. Desde pequenino que a sua peregrinação de lar em lar começou cedo: Póvoa, Vila do Conde, Aveiro, Porto, Coimbra, Lisboa, Évora, Egipto, Palestina, Líbano, Leiria, Cuba, Estados Unidos, Canadá, Newcastle, Bristol, Angers, Vila Nova de Gaia, Paris, Londres, Sintra, Baião, Viena de Áustria, Cascais, Serpa, Suíça, são apenas os pontos de referência maiores deste andarilho por vilas, cidades e países, onde às vezes regressou repetidamente, e onde viu o estrangeiro, o culie, ou o emigrado que ele, afinal, também era.
Mas, além do mais, Eça era um funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros e essa sua especialização profissional levou-o a deixar-nos um relatório notável de rigor sobre o problema da emigração, escrito em 1874, mas que só viu a letra impressa em 1979 pela mão de Raúl Rego e, mais recentemente, pela de Isabel Pires de Lima e de José Lello, com edições em 2000 e 2001 nas Publicações D. Quixote, mas que creio definitivamente esgotadas, onde deixou pensamentos como estes: «[a emigração] estabelece a fusão das raças, cria novos tipos de humanidade e novas originalidades de temperamento» (2.ª edição, pág. 125/126); «perante a emigração qual deve ser a atitude dos governos? Evidentemente uma simples interferência policial... A emigração é uma lei económica e como tal tem de ser abandonada à sua evolução natural. Acelerá-la é perigoso; reprimi-la é inútil» (idem, p. 145); «... o proibir a emigração livre é inútil, é criar uma outra bem mais deplorável - a emigração clandestina - , é fazer entrar o homem na nova vida do trabalho pela porta da desobediência» (idem, p. 148), terminando por afirmar e fazer a apologia « da emigração como força civilizadora», a última frase do seu texto que deu o título às referidas edições.
Face ao que a Comunidade Europeia legislou recentemente sobre migrantes só podemos concluir que Bruxelas nunca leu este relatório do consul Eça de Queirós. E Lisboa, que se apressou a seguir as suas directivas, também não. Reclama-se pois uma nova edição deste texto que Eça de Queirós escreveu vai para 134 anos, mas agora traduzido para as vinte e tal línguas do “alargamento”. Enquanto é tempo, pois como daí se infere, a Europa tem aprendido pouco consigo própria e começa a renegar a sua própria civilização.

J. A. Gonçalves Guimarães

OUTRAS

DOUTOR EM HISTÓRIA DA SAÚDE

No passado dia 23 de Junho, o nosso confrade Augusto José Moutinho Borges apresentou na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa as suas provas de doutoramento na área de Ciências da Vida, especialização em História das Ciências da Saúde, com a tese “Os Reais Hospitais Militares em Portugal administrados e fundados pelos Irmãos Hospitaleiros de S. João de Deus (1640 - 1834)”, orientada pelo Prof. Doutor Luis Nunes Ferraz de Oliveira, tendo sido arguentes a Prof. Doutora Amélia Ricon Ferraz, directora do Museu de História da Medicina Maximiano Lemos e professora na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, e o Prof. Doutor Vitor Serrão da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. O júri atribui-lhe a classificação de muito bom com distinção e louvor por unanimidade.

Legenda - Doutor Augusto José Moutinho Borges; fotografia do semanário A Guarda

S. TIAGO DA ESPADA PARA QUEIROSIANO

No passado dia 10 de Junho, o Presidente da Republica agraciou com a ordem de S. Tiago da Espada, grau comendador, o Prof. Doutor Carlos Reis, catedrático da Universidade de Coimbra, actual reitor da Universidade Aberta, grão-louvado da Confraria Queirosiana, autoridade académica em assuntos ecianos e defensor do novo Acordo Ortográfico para a Língua Portuguesa. Esta condecoração, que se junta às que tem recebido no país e no estrangeiro, distingue uma carreira notável em prol da Cultura Portuguesa.

O Primo Basílio na TV

No passado dia 17 de Junho a TV Globo Portugal repôs uma mini-série baseada no romance de Eça de Queirós, adaptado por Gilberto Braga e dirigida por Daniel Filho, com um elenco de luxo em que pontuam Tony Ramos, Marília Pêra, Giulia Gamm e Marcos Paulo, que interpreta o primo. Mais uma notável contribuição para a divulgação da obra do grande escritor português que os brasileiros tanto apreciam.

VENCIDOS DA VIDA

Comemorando os 120 anos do aparecimento de “Os Vencidos da Vida”, o Turf Club de Lisboa organizou em 2007 um ciclo de conferências sobre sete dos seus antigos sócios que integraram aquele grupo. Essas conferências apareceram agora em livro em edição conjunta com a Tribuna da História.
Em Setembro próximo será lançado na Vindouro, em São João da Pesqueira, a biografia de um dos “Vencidos” com o título Marquês de Soveral homem do Douro e do Mundo, do historiador J. A. Gonçalves Guimarães, versão em português e inglês (assinada pela tradutora Karen Bennette), edição muito ilustrada.

EÇA E CAMILO

Pela Parceria A. M. Pereira, o incontornável A. Campos Matos acaba de lançar o livro A Guerrilha Literária Eça de Queiroz - Camilo Castelo Branco, tão belo quanto didáctico, tão agradável quanto proveitoso, tão surpreendente como sólido, pois está lá tudo o que quiser saber sobre as relações literárias entre os dois gigantes da Literatura Portuguesa da segunda metade do século XIX. Guerrilha literária? Talvez assim se possa chamar à enorme admiração que tinham um pelo outro, a despeito da diferença cronológica de vinte anos que os separava, as modas literárias e os percursos diversos, com alguns pontos biográficos e geográficos comuns. E também os seus amuos, ciumeiras e má-língua que ambos deixaram escapar pelo sucesso do outro, às vezes em manifestações tão mesquinhas quanto inúteis. Mas, que se há-de fazer, os grandes escritores nem sempre se livram facilmente dos tiques darwinianos mais comuns. Gostaríamos que fossem só génio, mas quase sempre são também muito humanos e, às vezes, muito mauzinhos. Leia, que vai gostar e, pelo menos nisto, sentir-se-á igual a Eça e a Camilo, no que ambos tinham de pior.



O MISTÉRIO DA ESTRADA DE SINTRA

A Lusomundo editou recentemente o DVD com aquele título, de Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão, adaptado por Jorge Paixão da Costa. Da edição, para além desta versão do conhecido policial, fazem parte comentários do realizador, cenas cortadas, o evitável final alternativo, essa estúpida concessão ao público mais própria de séries foleiras, mas a que as audiências “obrigam”, e, o que talvez tenha mais interesse, a rodagem do filme e os problemas da recriação da época, para além de um olhar sobre a obra dos dois escritores (ver notícia na página Eça & Outras n.º 31, de 25 de Maio de 2007.

IMPRESSÕES DO ORIENTE

No Museu Nacional de Arqueologia (Mosteiro dos Jerónimos, Lisboa) abriu ao público no passado dia 7 de Julho a exposição fotográfica «Impressões do Oriente. De Eça de Queirós a Leite de Vasconcelos», com imagens captadas nas últimas décadas do século XIX e princípio do século XX em diversos países e lugares relacionados com as antigas civilizações do Próximo Oriente. Ali estão presentes os manuscritos que Eça redigiu sobre a sua famosa viagem com o Conde de Resende realizada em 1869.

UM RECANTO DE HUMANIDADE

No passado dia 22 de Junho faleceu o Dr. Manuel Soares Gonçalves, confrade queirosiano, natural de Canelas, Vila Nova de Gaia, onde nasceu em 1936. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi dirigente da JOC, proponente da SEDES e membro do PPD aquando da sua fundação.
Conhecido advogado, deixou expressas a sua propensão humanista e preocupações sociais no livro Um Recanto de Humanidade, recentemente editado por Edições Gailivro, onde em pequenas crónicas recorda figuras e factos da meninice e da escola primária na sua terra natal, então marcada por uma intensa ruralidade, embora situada ao lado da estrada nacional que levava ao Porto e ao Mundo. Um sentido testemunho de um tempo passado em que, tal como agora, alguns poucos engordavam à custa da pobreza cada vez mais magra da maioria que trabalha. O livro é sobre estes últimos porque os restantes passam na narrativa todos de automóvel, a correr, ficando deles apenas o fumo negro e espesso dos que não querem que sobre eles se escrevam estórias e muito menos História. Por isso mal se dá por eles neste livro de des(encanto), como que um testamento de afecto que o autor logrou legar num estreito amplexo em que irmanou a sua pequena humanidade de ao pé da porta.
Manuel Soares Gonçalves deixou uma grata saudade em todos aqueles que com ele privaram, e que hão-de reler este livro em tardes vagarosas debaixo das camélias do Solar Condes de Resende, «que fica a poucos metros da casa onde nasci e da minha Escola» como deixou escrito no exemplar que ofereceu ao seu Centro de Documentação.

Retrato: Dr. Manuel Soares Gonçalves

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semanário A Guarda.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Eça & Outras Junho


EÇA BRASILEIRO PORTUGUÊS DA PÓVOA

Acaba de nos chegar pela mão queirosiana da confreira Maria Carolina Calheiros Lobo e de seu marido António Alberto, que recentemente estiveram no Brasil, o livro A boa mesa de Eça de Queiroz. Um ensaio e muitas crônicas de Dagoberto Ferreira de Carvalho Junior, recentemente publicado pela Editorial Tormes do Recife, e que o autor lhes dedicou em Março passado.
Se alguém quizer saber como Eça é cultuado no país irmão, que leia este livro, que abre na página XV com uma aguarela de Mário Paciência, publicada no Diário de Pernambuco de 27 de Maio de 1996, na qual se retratam uma série de ilustres queirosianos brasileiros na mesmíssima pose de uma célebre fotografia dos Vencidos da Vida, neste caso os Vencidos do Recife. Depois uma série de saborosas crônicas literárias sobre a gastronomia queirosiana e outros aspectos da sua obra, degustada pelos seus admiradores em jantares ecianos desde 1993 até ao presente. Entre muitas e certeiras alusões bibliográficas, a admiração do autor pelos nossos confrades A. Campos Matos e Manuel Lopes, poveiros, que têm feito a ponte eçófila entre Portugal e o Brasil, o primeiro felizmente ainda vivo e activo entre nós, o segundo vivo e activo na nossa memória.
Também referências ao Clube de Eça do Rio de Janeiro, fundado em 1955, e ao Clube de Amigos de Eça de Queirós do Recife, fundado em 1948, ambos tendo resultado de grémios queirosianos que se reuniram informalmente desde as primeiras décadas do século XX, depois redimensionados na Sociedade Eça de Queiroz do Recife, de que o autor é presidente.
Dagoberto Carvalho Jr., médico e escritor, é autor de numerosa bibliografia queirosiana, tendo colaborado na edição da obra Completa de Eça de Queiroz. Rio de Janeiro: Nova Aguilar 2000, no Dicionário de Eça de Queiroz. Lisboa: Editorial Caminho, 2000; no Dicionário Temático da Lusofonia. Lisboa: Texto Editores e na Revista Brasileira, edição comemorativa do centenário da morte do escritor promovida pela Academia Brasileira de Letras em 2000.
Como remata certeiramente o autor no final da crónica que dá o título ao livro: «E porque o banquete eciano é pródigo e interminável, às vezes como agora, temos de interrompê-lo para continuar nos livros que são muitos e, vencidos os séculos XIX e XX, já contam novas edições e novos leitores neste principiar de outro milénio».

Gravura 1: «A canonização de Eça no Brasil»; vinheta de Mário Paciência no mais recente livro de Dagoberto Carvalho Junior, p. 197.

GASTRONOMIA EM CONGRESSO

Nos passados dias 30 e 31 de Maio e 1 de Junho decorreu no Museu Marítimo de Ilhavo o II Congresso da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas (FPCG), o qual reuniu mais de trinta confrarias filiadas e uma dezena de outras como observadoras.
Da agenda dos trabalhos faziam parte temas do momento como “Tradição e segurança alimentar”; “Tradição e Modernidade - o seu justo equilíbrio: estratégias e propostas de actuação “ e “ O posicionamento da FPCG face aos movimentos internacionais”.
O congresso contou ainda com um intenso programa social, no qual se incluiu o jantar da partilha das Confrarias, no Hotel de Ilhavo e um outro oferecido pelo município ilhavense no seu grandioso Centro Cultural.
Além das confrarias portuguesas estiveram presentes a Federação das Confrarias Gastronómicas de França, a Confraria do Grogue de Santo Antão (Cabo Verde) e a Confraria dos Gastrónomos de Macau. A Confraria Queirosiana esteve presente nos trabalhos através do seu mesário-mor, J. A. Gonçalves Guimarães, do presidente da Direcção, Carlos Sousa, do presidente da mesa da assembleia geral, Nelson Cardoso, e do representante da comissão comercial Fátima Teixeira.
Quer pelo conteúdo das propostas apresentadas, quer pela discussão suscitada em torno das mesmas, pode dizer-se que o movimento confrádico nacional estará a sair da sua fase excurssionista para se debruçar seriamente sobre o Património Gastronómico Nacional como elemento essencial da Cultura Portuguesa, onde a tradição pode perfeitamente conviver com a modernidade sob o arco do triunfo da autenticidade e da qualidade. Como, aliás, já defendia nos seus textos Eça de Queirós, que apreciou de igual modo os requintes da cozinha internacional da sua época, valorizando os nossos pratos tradicionais.


Gravura 2: A delegação da Confraria queirosiana no Congresso em Ilhavo

CONFRADE RABELO

No feriado do passado dia 22 de Maio realizou-se, como é habitual, o capítulo anual da Confraria O Rabelo sediada em S. Xisto, S. João da Pesqueira, o qual teve lugar nos armazéns da Casa Messias, à Ferradosa. À mesa do evento presidiram Narciso Lopes, chanceler da Confraria, António José Lima Costa, presidente do município e confrade, e Madalena Carrito, em representação da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas.
Com a presença de numerosas confrarias, foram entronizados diversos confrades efectivos e de honra, e entre estes, o mesário-mor da Confraria Queirosiana J. A. Gonçalves Guimarães. À cerimónia seguiu-se um animado almoço com banda, rancho folclórico e conjunto musical, que a chuva “arrefeceu” de tempos a tempos, mas não logrou estragar, tendo sido servidas iguarias tradicionais altodurienses.

Gravura 3: Na Confraria O Rabelo em S. João da Pesqueira

ESCRITORES QUEIROSIANOS NO S. JOÃO DE GAIA

No passado dia 21 de Junho desfilaram na marginal de Gaia as habituais Marchas de S. João. Desta vez, para a coreografia e as letras das canções, o tema foi escritores, e vai daí, aconteceu esta coisa singular: Camilo Castelo Branco venceu a parada, recordado por Vilar do Paraíso, Vilar de Andorinho e Canidelo; Pedroso escolheu Júlio Dinis e Mafamude, Fernando Pessoa; no que diz respeito a escritores vivos, Crestuma escolheu um poeta local, Eugénio Paiva Freixo; a Afurada, Barbosa da Costa, e Santa Marinha, J. Rentes de Carvalho, sendo estes dois últimos sócios da Confraria Queirosiana. Surpreendentemente Eça de Queirós, que Canelas ainda tentou levar mas não conseguiu, também não foi escolhido por S. Félix da Marinha, onde fica a Granja, e Garrett, que viveu no Castelo de Gaia e em Oliveira do Douro, também ficou de fora. Aquelas escolhas, para além de proporcionarem interessantes reflexões sobre o que é um escritor e qual o impacto da sua obra ao nível popular, mostraram também o desajustamento cultural de algumas freguesias e das suas associações recreativas com os aspectos culturais mais relevantes do Município.

ARTE RUPESTRE EUROPEIA

Sob a chancela da Academia Eça de Queirós, está a decorrer durante o mês de Junho no Solar Condes de Resende, às sextas-feiras entre as 21 e as 23 horas, e ao sábado, entre as 10 e as 12 horas, um curso livre intensivo sobre Arte Rupestre Européia ministrado pelo Prof. Doutor Fernando Coimbra.
Dado o manifesto interesse do assunto para os que gostam de Arte desde os primórdios da Humanidade e da Arte de qualquer época, foi já solicitado à Academia que promova uma nova edição deste curso na Primavera do próximo ano.

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- CONFRARIA QUEIROSIANA
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terça-feira, 27 de maio de 2008

Eça & Outras Maio



CONFRARIA QUEIROSIANA VISITA SINTRA



- A Confraria Queirosiana ficou à porta de Seteais.

Nos passados dias 25 e 26 de Abril os sócios e confrades foram a Sintra percorrer os locais queirosianos, no que foram acompanhados pelo Dr. José Gonçalves, estudioso deste roteiro, que os relacionou com as grandes obras de Eça e com os aspectos mais particulares da vida do escritor, que ali esteve com Emilia em lua-de-mel.
Mas nem tudo está bem neste itinerário: está “fechado” aos fins-de-semana e feriados, conforme a autarquia informou a Confraria, e não se pode entrar no parque de Seteais, propriedade pública concecionada a uma cadeia privada de hotéis. Concluindo: em Sintra, Eça está sempre fora aos fins-de-semana e feriados, numa terra que gostou de ser classificada como Património Cultural da Humanidade, e uma propriedade pública está fechada devido a interesses privados!
Depois do almoço no restaurante O Saloio, a caravana foi visitar o Palácio da Vila, sempre cheio de visitantes, onde seria bom que os guias cantassem em estilo ópera as explicações das diversas salas pois, na balbúrdia reinante, não se ouvem. Mas as inteligências culturais do momento acham que o mais importante é que os monumentos sejam como os estádios de futebol: cheios é que é bom, mesmo que não se aprenda nada.
Seguiu-se uma visita com prova na Adega Cooperativa de Colares, onde o guia não sabia o enorme apreço que Eça tinha pelo vinho ali produzido, e que ali se compra quase por favor ao dobro do preço daquele pelo qual se vendem as mesmíssimas garrafas no Palácio da Pena, conforme puderam, estupefactos, constatar no dia seguinte os queirosianos que ali o adquiriram. E já são dois os novos “mistérios da estrada de Sintra”!
Como a hotelaria local também é um pouco difícil e ainda não se recompôs da substituição do Hotel Nunes por aquela coisa que lá está, a Confraria optou por ir ficar à Ericeira, já no visinho concelho de Mafra, a simpática praia que dantes era de pescadores mas onde já não existem as suas famosas rascas, embarcações de cabotagem que dantes percorriam o litoral português e que aqui tinham o porto de referência. Com este Verão de Abril a noite nesta praia era um algarve de gente bonita a passear nas ruas.
No dia seguinte o grupo rumou cedo ao Palácio da Pena onde foram conduzidos pela guia Joana Antunes que explicou tudo muito bem e com calma e até fez de conta que não sabia que D. Carlos tinha na cidade de Lisboa, numa determinada época da sua vida, uma cama muito mais larga do que aquela outra que deixou no seu quarto neste palácio. Com um dia tão claro e límpido via-se dali claramente a barra do Tejo e o Bugio. Tudo histórico e humanamente mágico.
Depois de um almoço no Pátio do Garrett, que nos fez lamentar não haver um restaurante assim no Castelo de Gaia onde este escritor viveu na infância, a tarde era livre, pois Sintra é inesgotável. Uns foram ao dito Museu do Brinquedo, que o não é, mas apenas uma Colecção arrumada por vários andares e vitrinas, sabendo-se que a Museologia é a irmã mais nova do Coleccionismo, mas que tem um curso superior. Outros foram ver a Quinta da Regaleira e as fantasias esotéricas que, à viva força, alguns querem encontrar nesta manifestação ostentatória do novo riquísmo pouco culto, mas dado a fantasias, do princípio do século XX e, afinal, de todas as épocas. Eles têm dinheiro, mas não têm sabedoria para enfrentarem o seu tempo e por isso refugiam-se num passado aldrabado à sua maneira. Tentam assim violar a História e ficar impunes. Mas há quem goste. Outros foram pura e simplesmente deambular por uma terra que é realmente magnífica, mesmo nas contradições e controvérsias que os seus monumentos suscitam, porque, ao fim e ao cabo, o seu Património Natural tudo cobre com as intermináveis maravilhas da Natureza dos cinco continentes que por ali se aclimataram.
A Confraria voltará a Sintra para homenagear Eça de Queirós e este cenário de irmandade universal através das interrogações da Cultura.



- No Palácio da Pena

OUTRAS

MESTRADO EM ESTUDOS AFRICANOS

No passado dia 15 de Abril apresentou na Faculdade de Letras da Universidade do Porto a sua tese de Mestrado intitulada «A Praia na primeira década da segunda metade do século XIX: o porto, o comércio e a cidade» o nosso confrade Dr. José Silva Évora, investigador do Arquivo Histórico Nacional de Cabo Verde. Aproveitando a sua presença em Portugal, a direcção da Confraria Queirosiana promoveu um jantar com a presença de vários dos seus amigos e consócios no Solar Condes de Resende.



- Mestre José Évora no Solar Condes de Resende

BIOGRAFIA DE SERPA PINTO

No passado dia 9 de Maio, na Estalagem Porto Antigo em Cinfães, o nosso confrade Mestre Dr. Nuno Resende apresentou uma conferência sobre “Serpa Pinto - o homem, a obra e o seu legado ao mundo”, numa síntese da biografia que tem vindo a elaborar sobre este militar, africanista e político que foi condiscípulo de Eça de Queirós no Colégio da Lapa no Porto, pois tinham praticamente a mesma idade, tendo ambos falecido em 1900. Aquele investigador salientou a diferença entre a realidade do homem e o mito que em volta do mesmo construíram os políticos, os literatos e, sobretudo, os media da época, por esse motivo considerando Serpa Pinto o primeiro português “moderno” no sentido do tratamento que a imprensa de hoje dá aos homens públicos.
A sessão foi organizada pela Associação Cultural Serpa Pinto, que tem sede naquele município onde o homenageado nasceu e viveu, com a colaboração do Rotary Club local.

SESSÃO EVOCATIVA DO BARÃO DE FORRESTER

A Associação Amigos de Pereiros e a Confraria Queirosiana, com o apoio da Câmara Municipal de S. João da Pesqueira, realizaram no passado dia 10 de Maio no Salão Nobre da Câmara Municipal, uma sessão evocativa do Barão do Forrester com a presença da Associação dos Amigos do Douro.
J. A. Gonçalves Guimarães, mordomo-mor da Confraria e director do seu Gabinete de História, Arqueologia e Património falou sobre “O Barão de Forrester e S. João da Pesqueira” e António Barros Cardoso, coordenador científico do GEHVID e professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, dissertou sobre “A afirmação do negócio do Vinho do Porto ao longo do século XVIII”. A sessão encerrou com um Porto de Honra.

NOVOS TEXTOS SOBRE EÇA

A Editora Veja acaba de publicar As vertentes do olhar na ficção queirosiana, de Ana Margarida Dinis Vieira. Trata-se de uma outra abordagem sobre o universo ficcional de Eça a partir da realidade circundante. Estas análises literárias são pois intermináveis no acrescento do caleidoscópio das possíveis leituras da sua obra.
Bem diferente, porque texto de historiador se trata, é o artigo de João Medina «Eça e Rafael. Rafael Bordalo Pinheiro, modelo do pintor Camilo Serrão, personagem de Eça d’A Tragédia da Rua das Flores?» publicado no último numero de Artis (nº 6 - 2007), revista do Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras de Lisboa. Aqui procura-se encontrar o modelo real da personagem ficcionada, com as necessárias cautelas, tendo em conta que ficção literária não é História.

EVOCAÇÃO DAS INVASÕES FRANCESAS

No próximo dia 7 de Junho no Castelo de S. João Baptista da Foz do Douro vai ser evocado o primeiro acto de revolta contra a ocupação francesa, o qual ocorreu a 7 de Junho de 1808. Do extenso programa, para além das cerimónias protocolares habituais e da recriação de exercícios militares da época e um concerto coral-sinfónico em que será executada a Abertura Solene 1812 de Tchaikowsky, dele faz parte uma exposição de pintura sob o tema Rostos - Paisagens e Retratos da autoria do nosso confrade Major pintor Simões Duarte, que, entre muitos outros exporá os retratos dos confrades D. Duarte Pio e do escritor J. Rentes de Carvalho.

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terça-feira, 13 de maio de 2008

Proposta de Admissão de sócio

Proposta de admissão de sócio

Nome_______________________________________________

Profissão_____________________________________________

Data de Nascimento_____________________________________

Endereço de contacto ____________________________________

Código postal e localidade _______________________________

telefone/telemóvel de contacto___________________________

Email ____________________________________________

Jóia - 25€ (estão isentos os jovens entre os 18 e os 25 anos)
Quota para 2009 - 26€

Sócios proponentes (assinatura legível p.f.)

1.

2.
(Artº 6º dos Estatutos)

___________________, ______ de ________________de 2009

Assinatura

____________________________________
BI _____________________
NIF____________________


Os dados recolhidos destinam-se exclusivamente a uso da ASCR-Confraria Queirosiana. É garantido aos sócios e outros, nos termos da lei, o direito de acesso, rectificação e eliminação de qualquer dado dizendo-lhe respeito, dirigindo-se à morada abaixo indicada.



Objectivos

ARTº 3º - Constituem objectivos dos ASCR-CQ a difusão, promoção e consolidação do renome mundial de Eça de Queiroz e da sua Obra; o enriquecimento do património do Solar Condes de Resende e uma maior divulgação e apreço pela sua actividade e missões.
ARTº 4º - Tendo em conta os objectivos a prosseguir, os ASCR-CQ devem, entre outras, desenvolver as seguintes tarefas:
a) Promover a elaboração, edição e divulgação de trabalhos sobre Eça de Queiroz e a sua Obra;
b) Manter uma Confraria Queirosiana como forma de união entre todos os admiradores, estudiosos, promotores e protectores da Obra de Eça de Queiroz.
c) Organizar palestras, conferências, congressos, cursos, concursos, exposições e qualquer outro tipo de eventos e manifestações sobre temas queirosianos;
d) Promover viagens e itinerários culturais, bem assim como trabalhos arqueológicos, antropológicos, históricos, patrimoniais, artísticos e literários sob qualquer forma de expressão;
e) Divulgar por todos os meios adequados o Solar Condes de Resende como Casa Queirosiana Internacional;
f) Manter relações com todas as instituições que tenham objectivos culturais semelhantes;
g) Procurar obter, quer através de doações ou depósitos permanentes, quer adquirindo, pelos seus fundos ou com a contribuição de outras entidades, espécimes arqueológicos, antropológicos, históricos, literários e artísticos ou quaisquer outros testemunhos com interesse patrimonial para as colecções do Solar Condes de Resende;
h) Prestar à direcção do Solar Condes de Resende toda a colaboração que lhe seja solicitada.

(Dos Estatutos aprovados em Assembleia Geral Constituinte que decorreu no Solar Conde de Resende a 23 de Novembro de 2002)

Jóia - 25€ (estão isentos os jovens entre os 18 e os 25 anos)
Quota para 2009 - 26€




Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana
(associação cultural com estatuto publicado no Diário da República III série nº 80 – 4 de Abril de 2003, p. 7462-(6)).

Associação cultural que promove o encontro, conhecimento e amizade entre queirosianos de todo o Mundo. Apoio às actividades do Solar Condes de Resende como Casa Queirosiana Internacional.
Confraria Queirosiana – queirosianos apostados na leitura, investigação e divulgação da vida, obra e época de Eça de Queirós.
Solar Condes de Resende – equipamento municipal de cultura, propriedade da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, gerido por Gaianima, EM, onde os ASCR-CQ têm a sua sede mediante protocolo de colaboração. Dedica-se à História, Arqueologia, Antropologia e Património e ainda à vida e obra de Eça de Queirós e dos Condes de Resende. Centro de Documentação; Arquivo Condes de Resende; Colecção Marciano Azuaga; Jardim das Camélias e Hortas Tradicionais. Visitas guiadas, exposições, eventos e cursos livres. Aberto à semana entre as 9 e as 22 horas e aos fins-de-semana e feriados entre as 9 e as 19 horas.
Academia Eça de Queirós – investigação e ensino sobre os séculos XIX e XX; cursos livres sobre História, Literatura, Pintura, Arqueologia e outros.
Gabinete de História, Arqueologia e Património – realização de trabalhos profissionais nestas áreas do saber e edição de estudos; selecção de licenciados tarefeiros para trabalharem no Solar Condes de Resende; projectos e programas de Património.
Cursos livres de Pintura e de Danças de Salão, em horários convenientes e para todas as idades.
Comissão Comercial – gestão do bar e loja do Solar; comercialização das edições dos ASCR-CQ, do Vinho do Porto Confraria Queirosiana, do espumante Eça e do Vinho Tinto Fraga D’Ouro de homenagem ao Marquês de Soveral.
Comissão de Itinerários – organização de itinerários queirosianos em Portugal e no estrangeiro.
Comissão da Arte – organização do Salon d’Automne de Portugal, exposição de pintura e outras expressões plásticas dos sócios.
Protocolos celebrados com:
Associação de Amizade Portugal-Egipto (Lisboa); Gaianima, EM (Gaia); O Primeiro de Janeiro (Porto); Edições Gailivro (Gaia); Ateneu Comercial do Porto; Grémio Literário (Lisboa); Fundação Eça de Queiroz (Baião); Amigos de Pereiros (S. João da Pesqueira); Amigos de Gaia.
Edições – monografias sobre temas consagrados nos estatutos dos ASCR-CQ; edição anual da Revista de Portugal com artigos dos sócios; página Eça & Outras ao dia 25 de cada mês em O Primeiro de Janeiro; confrariaqueirosiana.blogspot.com.
Filiados em:
Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas.
Federação dos Amigos de Museus de Portugal.
Academia das Colectividades do Distrito do Porto.