quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

6ª sessão do curso livre «40 anos depois: História Local e Regional»


Curso livre «40 anos depois: História Local e Regional»

Solar Condes de Resende

Sábado, 6 de janeiro de 2024 – 15-17h

A ALTA IDADE MÉDIA ENTRE NÓS: PERSPECTIVAS ACERCA DA EVOLUÇÃO DO TERRITÓRIO PRÉ-NACIONAL, A NORTE DO TEJO

Manuel Luís Real

CITCEM / IEM

Começa-se por uma breve nota acerca do estado dos conhecimentos sobre a alta-Idade Média em território hoje português, no momento em que nasce o GHAVNH (1983). É salientado o impulso dado a partir de então pela Arqueologia, destacando, entre outros exemplos, as escavações na capela do Bom Jesus, em V.N. de Gaia.

Correspondendo à ideia sugerida pela organização do curso, no título genérico escolhido, optou-se por uma visão articulada sobre a região a Norte do Tejo, de modo a demonstrar a complexidade da época em questão e a necessidade de estudos cada vez mais especializados, não obstante os progressos que se alcançaram nos últimos quarenta anos.

É abordada a importância de Suevos e Visigodos na criação da base territorial e do quadro religioso em que assenta a alta-Idade Média no noroeste peninsular, não obstante as prolongadas manifestações de desestabilização política. Após a queda do reino de Toledo, à mão dos exércitos árabes, esta região voltou a conhecer um período instável, mas onde se forjou um novo tipo de sociedade, agora liderada pelos reis asturianos. Descreve-se a paulatina recuperação da antiga Gallaecia, sem deixar de aludir às controvérsias surgidas a respeito da apelidada “Reconquista cristã”. É apresentada uma visão actual sobre o processo das “presúrias” e analisa-se a evolução do território durante os reinados de Afonso III, Ordonho II e Ramiro II. E chama-se a atenção para a importância de Viseu e da “corte” rebelde de Lafões” na dinâmica do processo de reestruturação política, onde ganham progressivo protagonismo os condados de Portucale e de Coimbra. Entretanto, estes vêem-se envolvidos nas disputas em redor do trono leonês, que, fragilizado, acaba por soçobrar perante os exércitos de Almançor.

Após o intervalo, são apresentadas estruturas, actividades e objectos típicos da cultura material da época. A seguir, o discurso expositivo convergirá para a actividade bélica, com realce para a reconquista do território até à tomada de Coimbra, por Fernando Magno, e para o papel do dux Sesnando. Finalmente – e antes do assalto a Lisboa - descrevem-se as medidas tomadas para a defesa da fronteira, com recurso às cavalarias-vilãs, com as primeiras tentativas de atrair as ordens militares e com a estratégia seguida para criar uma barreira de povoações dotadas de carta de foral e obrigações de acorrer ao apelido do Senhor da terra portucalense, alçada entretanto à dignidade de Reino.

Presencial e por videoconferência; a frequência e o pagamento implicam inscrição prévia; para mais informações contactar queirosiana@gmail.com


sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Palestra da última quinta-feira do mês - 28 de dezembro de 2023

Palestra da última quinta-feira do mês
Solar Condes de Resende
28 de dezembro de 2023, 18,30 – 19,30 horas

"Das partes do Oriente": tradições poético-musicais do natal português
pelo Dr. Henrique Guedes

Em Portugal, o ciclo festivo da Natividade, que se estende até à celebração da Epifania, a 6 de janeiro, é pontuado por práticas e expressões poético-musicais populares, de caráter comunitário, que, pese embora a insuficiência, ou mesmo a artificialidade, de uma categorização, podem ser classificadas, quanto ao propósito e à temática, em três formas: o Cantar ao Menino, o Cantar as Janeiras e o Cantar os Reis.

Com texto e melodia fixados, na maior parte dos casos, no decurso dos séculos XVIII e XIX, estes cantares resultam de um longo processo evolutivo, marcado pela sobreposição de diversas tradições e formas poéticas e musicais, umas de cariz popular, outras de feição erudita, como as cantigas, os romances, os autos e os vilancicos.

Transmitidas oralmente ou através de laboriosa recolha e divulgação, por parte de profissionais e amadores da etnomusicologia, essas tradições poético-musicais têm, igualmente, suscitado o interesse de músicos e compositores, acedendo às salas de concerto e ao mercado da produção e fruição musical, bem como de instituições educativas, culturais e órgãos de decisão política e administrativa, assumindo uma crescente relevância enquanto património cultural imaterial.

Colaboração do grupo musical Eça Bem Dito

Pianista Maria João ventura

Acesso livre presencial e por videoconferência

Entrar Zoom Reunião
https://us02web.zoom.us/j/89165637021?pwd=REpGYjk2YnA2c1AzY2NnM0xVY3QyZz09

ID da reunião: 891 6563 7021
Senha: 110834

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

5ª sessão do curso livre sobre: 40 anos depois: História Local e Regional

 


OS ROMANOS ENTRE NÓS.

Glocalização e ecologia marítima no contexto da navegação e comércio romano na Fachada Atlântica do NW Peninsular

Prof. Doutor Rui Morais

O Noroeste Peninsular abarca um território banhado por uma ampla frente marítima oceânica. O estudo sobre a navegação e comércio nesta região deve levar em consideração a alteração da linha de costa ao longo dos tempos, pelo que é fundamental o cruzamento das fontes literárias e epigráficas e do registo arqueológico e cartográfico, com as evidências diacrónicas da geomorfologia e da sedimentologia nesta franja costeira.

A ocupação romana implicou uma lógica associada a diferentes formas de controlo territorial que obedeceram a uma interface marítima/ portuária/ terrestre. Essa lógica contemplou três espaços, cada um interdependente e dependente do outro: o espaço navegável (utilizando os canais de navegação), o espaço de cargas e descargas (utilizando uma praia ou uma zona de desembarque com cais e rampas) e as áreas de armazenamento e redistribuição de mercadorias, com áreas de rutura de carga e transvase de produtos. Assistiu-se também a transformações ecológicas da paisagem costeira que trouxeram a desflorestação e a transformação da paisagem, mas também processos inversos de florestação com fins económicos, muito provavelmente associados à construção naval, num processo que designamos por “ecologia marítima associada à navegação e comércio”, como se testemunha, por exemplo, na plantação de uma floresta de Pinus na franja costeira de Esposende, muito provavelmente associada à construção e reparação naval.


terça-feira, 28 de novembro de 2023

Palestra da última quinta-feira do mês - 30 de novembro


J. Rentes de Carvalho, escritor. Personalidade do Norte 2023

No passado dia 24 de novembro a CCDR-Norte I. P. atribuiu o galardão de Personalidade do Norte 2023 ao escritor José Rentes de Carvalho, nascido em Vila Nova de Gaia a 15 de maio de 1930 e a viver em Amsterdam, com visitas regulares a Estevais do Mogadouro, a aldeia dos seus ancestrais.

Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, entre outras distinções, legou à associação cultural de utilidade pública Amigos do Solar Condes de Resende - Confraria Queirosiana o seu espólio pessoal de escritor, jornalista, fotógrafo, conferencista e professor de Língua e Literatura Portuguesa na Universidade de Amsterdam, a quem competirá a sua preservação, organização, estudo e divulgação. Nesta palestra vamos abordar a vida e obra do autor, mas também dar a conhecer o seu espólio e as perspetivas da sua valorização.

Entrar Zoom Reunião
https://us02web.zoom.us/j/86175551121?pwd=cHQ3WWIrZFBhU3dhNjZMdC9tcUJrdz09

ID da reunião: 861 7555 1121
Senha: 651392

terça-feira, 14 de novembro de 2023

4ª sessão do curso livre sobre "40 anos depois: História Local e Regional"

 


O tempo dos "castros" em Vila Nova de Gaia: novidades e interrogações

António Manuel S. P. Silva (GHAP, CQ; CITCEM, UP)

 

Há quatro décadas, a investigação sobre o povoamento da Idade do Ferro na área de Vila Nova de Gaia vivia tempos de descoberta e expectativa.

Pela primeira vez, sob a responsabilidade do Professor A. C. Ferreira da Silva, dois dos sítios mais emblemáticos do concelho eram objeto de escavações arqueológicas, o Castelo de Gaia e o Monte Murado/ Sr.ª da Saúde, sendo que neste último, por um desses felizes acasos que contribuem para a História, se revelava também a designação étnica dos seus ocupantes à data da implantação da administração romana na região.

Desde então, aqueles e outros povoados da Idade do Ferro têm vindo a revelar os seus segredos, permitindo-nos conhecer bastante melhor as arquiteturas, objetos e modos de vida dessas populações que nos antecederam neste espaço geográfico. Nesta sessão, desvendam-se algumas das novidades e discute-se a moderna agenda de investigação de um tempo tão obscuro quão fascinante.

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

3ª sessão do curso livre "40 anos depois: História Local e Regional

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A PRÉ-HISTÓRIA DO CONCELHO DE VILA NOVA DE GAIA

No concelho de Vila Nova de Gaia são conhecidos vestígios arqueológicos atribuíveis ao Paleolítico Inferior, possivelmente ao Paleolítico Médio e a algumas etapas da chamada Pré-história Recente, nomeadamente o Neolítico/Calcolítico e a Idade do Bronze.

Os vestígios mais antigos (Paleolítico) estão documentados por utensílios de pedra lascada, e os mais recentes (Pré-história Recente) por “monumentos megalíticos” e por locais considerados de habitação, onde existem estruturas em negativo (isto é, buracos de poste, fossas e valados).

Apesar de dispormos destes dados, importa referir que os conhecimentos sobre a Pré-história do concelho são muito incipientes. Efetivamente, a região nunca foi alvo de estudos sistemáticos dirigidos a esta etapa da História da Humanidade, pelo que se torna extremamente difícil caracterizar a evolução do povoamento do território gaiense. Por outro lado, a inexistência de tais estudos terá também favorecido a destruição, ao longo do tempo, de elementos patrimoniais dos mais diversos tipos, perdendo-se, assim, informação fundamental para a reconstituição do passado.

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Curso livre «40 anos depois: História Local e Regional»

 


Vila Nova de Gaia: geomorfologia e evolução do território

O território de Vila Nova de Gaia pode considerar-se estruturado em 3 áreas:

·        A leste, um sector que drena diretamente para o Douro ou através dos seus afluentes, como o rio Febros.

·        Caminhando para o lado do mar existe um relevo alongado que atinge 208 m no Monte da Virgem e 241 na senhora da saúde. Desenvolve-se de forma quase linear numa direção NNW-SSE. Vamos chamar-lhe “relevo marginal”

·        A Oeste existe uma área que desce em patamares para o mar: a plataforma litoral.

Durante muito tempo a plataforma litoral foi entendida como um registo passivo das variações do nível do mar durante os últimos 7 milhões de anos da história da Terra.

O aparecimento da teoria da tectónica de placas veio criar uma visão mais mobilista do território em que a dinâmica de movimentos tectónicos começa por criar o relevo marginal e interfere com as ditas variações do nível do mar, explicando os abundantes e diversificados depósitos Plio-Pleistocénicos que juncam o sector ocidental de Gaia.

A evolução recente do litoral está marcada pela interação das obras construídas pelo Homem com o relevo criado pelas variações do nível do mar durante o Quaternário.